TEMPO DE ENTREVISTAS: Consultora Agatha Kuiper

Bem à maneira coronavírus, conversei on-line com Agatha Kuiper, sobre sua trajetória de sucesso em impulsionar empresários a alcançar seus objetivos. Quis saber um pouco mais sobre essa experiente consultora de negócios que vem, para variados segmentos de mercado e há mais de 20 anos, trazendo soluções de  crescimento para pequenas empresas, tanto no Brasil quanto na Holanda.

Elizabeth: Como era a menina Ágatha Priscila, você lembra?

Agatha: Eu era uma menina ativa, “perguntadeira” (risos) e muito social, a ponto de ir para as outras mesas de algum restaurante onde estávamos para conversar com as pessoas e fazer perguntas. Desde pequena sempre cheia de ideias. Eu era muito independente e tinha já a ideia de morar sozinha logo cedo, o que deixava minha mãe um pouco preocupada. Sou a mais velha e sempre tomava a frente nas iniciativas.

Escolher a Economia como formação teve alguma influência familiar?

Primeiro me formei em Processamento de Dados, este teve sim influência do meu pai, que era analista de sistemas. Mas eu queria muito Agronomia, que logo foi descartado por causa da dificuldade em ter que ir para o interior sozinha estudar. Então pensei em Administração de Empresas, mas foi Economia que acabei estudando. Até hoje sou apaixonada por Agronomia.

Minas Gerais, São Paulo ou Bahia? Conte onde seu coração ficou mais fincado.

Olha… Eu nasci em São Paulo e, com sete anos de idade, fui pra Minas, cresci lá. Em 2003, fui pra Bahia por escolha profissional. Me sinto mineira de costumes e maneira de ver a vida, mas é na Bahia que me sinto em casa! Minas ainda tem a nostalgia da adolescência. De balançar os “chacras-base” é a Bahia: pelo sol, pela descontração das pessoas, pela liberdade e praticidade de se viver… e pela beleza da natureza, é claro!

“Empatia, racionalidade e estruturação fazem parte de mim.”

Quando explodiu a quarentena, por causa do coronavírus, você estava no Brasil, onde tinha  vários compromissos profissionais. Como foi ter que retornar para a Holanda antes do tempo?

Foi uma mistura de sentimentos. Primeiro, uma tristeza, principalmente por causa dos planos em estar com minha mãe na primeira semana terem sucumbido. Foi um impasse interior ter que desmarcar toda a programação com minha mãe para protegê-la. Depois a frustração de ver tudo cancelado: tantas horas de preparação e pesquisa para os eventos já programados! E depois veio o medo de não conseguir embarcar e voltar para casa. Foram cinco dias tensos até conseguir voltar. Não foi fácil. Quando cheguei em casa, resolvi passar alguns dias isolada, lendo, cuidando do jardim, tranquila, sem pensar em nada, para me recuperar e retomar minhas atividades normais.

Em 2012, você chegou no “berço das tulipas” para ficar. Aqui na Holanda, você desbravou e conquistou seu lugar ao sol no coração de Amsterdam. Com proatividade, começou orientando empreendedores holandeses. A maneira holandesa de empreender provocou alguma forte mudança no seu método de trabalho?

Sim, provocou. Eu venho de uma longa trajetória de trabalho com o Sebrae, que funciona à maneira brasileira de ser: “dá o peixe mais do que ensina a pescar”, onde o candidato a empresário ou o empresário, recebe quase tudo pronto.

Aqui na Holanda é diferente. O objetivo maior é guiar e estimular o empreendedor a arregaçar as mangas e ir atrás das respostas. Existe uma coordenação, mas trilhar o caminho é tarefa somente do empreendedor.

Posso dizer que consegui adaptar um método de trabalho bem propriamente meu, que absorveu o lado positivo dos holandeses, que ajuda o empreendedor a desenvolver suas habilidades pessoais e trabalhar de forma bem objetiva. Na verdade, eu otimizei o meu método mantendo o meu lado brasileiro que é bem mais humano e empático. Hoje, trabalho de forma bem mais efetiva com a junção do que é eficaz na maneira holandesa e na maneira brasileira de trabalhar, e esse é o meu diferencial.

“Minhas orientações são personalizadas ao empreendedor, cada caso é um: fórmulas padrões não fazem parte do meu trabalho”

Na perspectiva do mercado empreendedor, analisando em geral, você consegue ver pelo menos um aspecto positivo no meio dessa crise atual gerada por essa pandemia?

Sim, assim como qualquer crise, surgem novas oportunidades. Tenho visto várias novidades em segmentos de mercado que até então eram inexpressivos. Outra coisa que percebo é a questão da reavaliação do empreendedor relacionada à utilização do seu tempo e à gestão financeira. A questão do dinamismo no aproveitamento do tempo e atenção focada nas finanças estão sendo ressaltadas pela necessidade. Esta crise está dando a oportunidade de repensar a gestão da saúde financeira do negócio afim de se organizar melhor. Agora também é tempo daquele que não investiu anteriormente, decidir dar um upgrade no seu negócio, investindo em assessoria especializada e melhoria nos processos para driblar as dificuldades dessa crise e se fortificar.

Para você, o que significa uma oportunidade de negócio?

Para mim, uma oportunidade de negócio é a junção da visão e da preparação. É conseguir visualizar uma potente necessidade do mercado e estar preparado para suprir essa necessidade.

Eu percebo uma alta empatia em você, Agatha. Essa sua empatia se desenvolveu ao longo de sua larga experiência profissional ou tem mais ligação com sua personalidade cosmopolita?

Tem muito a ver com minha convivência com empresários dos mais variados segmentos de mercado por mais de 20 anos, onde conheci vários aspectos do perfil empreendedor das pessoas, e também tem uma forte ligação com a minha experiência como professora de nível superior. Esse contato com o processo de aprendizagem, onde existiu muita troca, me fez aprender muito no que se refere ao lado humano e me colocar no lugar do outro, sem perder a racionalidade e objetividade.

Qual foi a decisão mais importante da sua carreira?

Foi quando, aqui, na Holanda, eu precisei decidir entre persistir como consultora de negócios ou recomeçar do zero em outro nicho ou segmento de trabalho. Considerando, na época, o desafio do idioma holandês e todos os obstáculos que vieram com ele, eu decidi continuar. Foi muito difícil, mas o desafio foi vencido com muita persistência e valeu a pena!

“Ofereço a consultoria à distância e tenho clientes em vários países”

O sonho faz parte do empreendedorismo. Como sonhar sendo racional e realista ao mesmo tempo?

Esse é o maior desafio dos empreendedores! Em primeiro lugar, para começar a empreender, é preciso sonhar, o mais colorido possível – um processo visionário no qual a imaginação e a criação fazem parte.

Depois vem o estágio seguinte, que é muitas vezes ter que ajustar o sonho, trazendo para a realidade possível. O consultor tem papel fundamental nesse estágio, sem influenciar diretamente mas sutilmente fazer o condicionamento ideal para que o próprio empreendedor possa identificar e ajustar o seu sonho para tornar-se possível e viável de ser concretizado. Ser racional e realista nesse processo ajuda bastante.

Empreender virtualmente (internet, redes sociais) é muito diferente de empreender no mundo real?

Sim, as possibilidades são diferentes. É preciso desenvolver outros tipos de habilidades e competências. No virtual, o marketing vira o foco central, mas não deveria ser o único.

Outra questão diferente: em uma empresa presencial, se consegue colocar um limite entre vida profissional e pessoal. No virtual, o negócio entra na vida pessoal o tempo todo, então pode gerar conflitos nos relacionamentos e até desencadear mais facilmente estafas físicas e mentais. Ou seja, é necessário um equilíbrio extra para limitar tempo e prioridades.

Quando você está diante de um cliente que está descrevendo a sua ideia, qual é o fator chave que te ajuda a perceber que aquela ideia tem potencial de sucesso?

Em primeiro lugar, vem a singularidade da ideia. Se ela é clara em satisfazer a necessidade do cliente e se tem um diferencial. Em segundo lugar, vem a preparação que o possível empreendedor teve inicialmente, a busca que fez de informações a respeito de tudo que está relacionado à ideia e até que ponto ele está disposto a seguir adiante.

E qual é a vantagem de trabalhar com brasileiros?

O brasileiro é mais aberto para ouvir e absorver conhecimento. Eu penso que, por causa da adaptabilidade da cultura brasileira, existe uma maleabilidade no brasileiro que eu não percebo no holandês. Isso facilita tanto na estruturação de um plano de negócio, como no processo de planejamento estratégico de uma empresa já existente.

Numa escala de 1 a 10, qual a importância de um planejamento estratégico bem direcionado em uma empresa?

Para mim, é 10. Em um mercado que está em constante mudança e com ameaças iminentes de crises, é impossível uma empresa se manter em pé e ser saudável se não tiver, no mínimo, estratégias bem definidas, discutidas, analisadas e estruturadas para os próximos 12 meses seguintes.

“Ler é a minha maior inspiração!… além do meu jardim…”

O que te deixa muito empolgada, Agatha?

Ahh… Eu fico muito empolgada quando eu descubro algo novo (por exemplo, através da leitura de um livro, um curso, uma conversa) que eu possa facilmente pôr em prática na minha vida.

Qual foi a última vez que você se sentiu em estado de fluxo? (aquele estado em que ficamos ocupados horas a fio em algo tão interessante que não percebemos o tempo passar).

Hoje estive em estado de fluxo (risos). Estar trabalhando na terra, com jardinagem, na minha casa dos sonhos me faz prazerosamente esquecer de tudo e nem perceber o tempo passar, o que é maravilhoso!!

E o ritmo, é fácil para você desacelerar para se inspirar? De que maneira?

Sim! Ir para a natureza, dar uma caminhada, estar sob o sol, é um desacelerador para mim. Já a  minha inspiração vem dos livros, eles exercem um fator fundamental na minha vida.

Qual a sua conquista pessoal que vale a pena ser mencionada e que te traz muita satisfação?

Minha maior conquista pessoal é ter encontrado uma pessoa que me completa em todos os sentidos. Tudo que eu visualizei minha vida inteira em um homem, meu marido tem, literalmente, em todos os aspectos… é incrível! Sob medida! Essa conquista é a que mais traz satisfação pessoal na minha vida.

“Mantenha a visão, confie no processo”. Para finalizarmos, você poderia comentar ou acrescentar algo a essa frase?

Ouvindo essa frase, me veio de imediato meu lado espiritual. Para muitos, pode estar mais relacionado ao lado profissional, mas eu vejo algo bem mais profundo. Estamos vivenciando muita coisa nesse momento acontecendo no mundo, relacionado às mortes por causa dessa pandemia e perdas econômicas. Isso é o que estamos vendo, é triste, é chato, mas o que creio é que temos que confiar em um processo muito maior. A evolução natural que o planeta está vivendo, creio que é um processo que está sendo inteligentemente guiado. Então, que tal reescrevermos essa frase assim: “Mantenha a visão mas confie no processo”?!

Agatha é economista e consultora de empresas, orienta estrategicamente autônomos, empresários e novos empreendedores bem como profissionais na busca de recolocação no mercado holandês. https://redequerobrasil.nl/listings/consultoria-para-pequenos-negocios

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